A felicidade de usar a tecnologia

Nas últimas três semanas o azar bateu-me à porta, ou melhor, ao carro. Três acidentes, três participações ao seguro. Em duas delas por via da declaração amigável, a outra directamente na oficina.

São as declarações amigáveis que me levam a este texto e à relação com as aplicações móveis e tecnologia em geral, aos processos que simplificam a vida das pessoas.

Nos dois casos iniciais que falei em cima, preenchi a declaração amigável de forma manual. Por acaso, tinha declarações em papel no carro. Entretanto, já há uma aplicação para este propósito (já voltamos a ela…).

 

Declarações preenchidas e enviadas para a seguradora por e-mail, uma foto tirada ao acontecimento, tudo tratado para a visita do perito.

O agendamento da visita do perito para analisar o carro é confirmado por sms. O carro tem de estar na oficina em que será reparado o dia todo à espera que o perito passe por lá porque, “nós não controlamos esse processo, e depende muito de cada visita do perito”, diz-me a senhora de forma muito simpática do outro lado da linha entre chamadas para a seguradora e gabinete de peritagem.

Numa das visitas do perito, telefono para o tal Gabinete de Peritagens para perceber a que horas irá o perito passar na oficina. “Por volta das 11, mas olhe que pode atrasar”. Cheguei à oficina às 11.20. O perito já tinha passado e sou informado que passou às 11.07. Foi embora e ninguém foi capaz de me avisar. A peritagem tem de ser re-agendada. Por 13 minutos e porque “o perito não tem autorização para telefonar”, todo o processo tem de voltar ao início.

Estamos em pleno século XXI, há telemóveis no bolso de (quase) todos os portugueses. A produtividade é um dos indicadores que mais afecta a nossa economia, no entanto, continua-se a insistir em processo arcaicos e ultrapassados. E não me digam que é por falta de dinheiro que não há investimento.

Durante os primeiros anos do aparecimento e desenvolvimento das aplicações móveis, olhou-se para este meio como mais uma forma de promoção da marca. A visão era quase sempre curta e sempre sem grandes planos a médio e longo prazo. O facto de só em finais de 2016 aparecer uma aplicação móvel para preenchimento das declarações amigáveis explica muito da visão reduzida que, por vezes, se tem das potencialidades deste tipo de tecnologia.

O processo que relatei em cima poderia estar completamente reduzido a meia dúzia de interações entre dispositivos móveis (e, eventualmente computador) para transformar a vida das pessoas menos burocrática. E por consequência mais feliz. Dos acidentados, dos peritos, de quem nos atende os telefones e não consegue explicar porque um processo tão simples como este ainda carece de tanta burocracia.

Estou confiante que o cabo das tormentas já passou, em Portugal, quando falamos de aplicações práticas da tecnologia e que 2017 marcará o início de uma abordagem por parte das empresas mais prática, mais virada a objectivos concretos em que o retorno do investimento não é só mensurável pelo awareness que é criado mas também pelo factores intangíveis que afectam os utilizadores finais!

“A primeira regra de qualquer tecnologia utilizada nos negócios é que a automação aplicada a uma operação eficiente aumentará a eficiência. A segunda é que a automação aplicada a uma operação ineficiente aumentará a ineficiência.” – Bill Gates