Uma tentação chamada…push!

Tenho acompanhado com atenção a evolução que o envio de notificações push teve em Portugal por parte dos Media.

Antes do aparecimento do Observador era praticamente inexistente. Este jornal de cariz estritamente online – que todos nós já conhecemos bem e que nos habituamos a ler, independentemente de preferências políticas – trouxe uma lufada de ar fresco ao que até então se fazia neste sector no campo digital.

Mas, centremo-nos nas notificações push, o tema deste artigo.

O envio das push evoluiu do praticamente inexistente ao ponto que estamos agora: insuportável. E esta observação aplica-se de uma forma transversal, ao que os órgãos de comunicação social estão a fazer. Não apenas a este ou àquele jornal.

Atualmente, como consumidor de alguns destes órgãos, noto claramente uma competição: “o  quem envia primeiro.”

Quem está do outro lado, parece que se esqueceu de quem está deste. Uma coisa é certa, atualmente não é relevante se eu gosto ou não de política, se eu gosto ou não de futebol, e do clube A, B ou C. Não querem saber onde estou e se me interesso por assuntos locais/regionais ou não. São indiferentes aos meus horários e por isso não há problema em bombardear-me com mensagens ao fim-de-semana, ou até, enviar mensagens às 23.00 ou 24.00 com temas não urgentes. Artigos de opinião ou ante-visão para o dia de amanhã.

Enfim… podia continuar aqui com um rol de exemplos, mas acho que a mensagem está clara:

Atualmente não se pensa verdadeiramente no consumidor, quando se enviam notificações push.

Não se tira nenhuma capacidade do que a tecnologia tem para nos oferecer. Não se perfila o consumidor com os seus gostos e preferências, não se direciona a mensagem mediante esta caracterização.

Mais, não há sequer a opção de configurar se somos um heavy-user, alguém que quer saber tudo sobre futebol, por exemplo, e que por isso está disposto em receber atualizações a toda hora (sim, porque os resultados finais já não chegam) ou se o consumidor é apenas alguém interessado no resultado final do seu clube e da sua seleção.

Se quem está do outro lado tivesse isto em conta, mais o facto de saber que quem lê o Jornal A, é bem provável que leia o Jornal B e C, sabia perfeitamente que o consumidor para além de já ser metralhado pelo Órgão de comunicação A, recebe esta informação a duplicar, a triplicar ou quadruplicar. Porque é muito comum enviarem-se push semelhantes, para não dizer exatamente iguais, sempre que há um acontecimento mais relevante/importante a acontecer.

Esta tentação chamada push está a matar a funcionalidade e esta fantástica capacidade de chegar de forma eficaz e imediata aos consumidores. Estes são cada vez mais exigentes e não gostam nada quando não se pensa neles e no que pretendiam quando se deram ao trabalho de instalar uma app mobile ou abrirem um WebSite e autorizarem a recepção de notificações push.